Os desafios do transporte de cargas no Brasil – J. Chokr

Em nossa série de artigos sobre o transporte rodoviário, temos abordado novas tendências e oportunidades como o transporte de pequenas cargas e, hoje, abordaremos os desafios do transporte de cargas no Brasil.

O Brasil investe menos de 0,5% de seu PIB em infraestrutura logística – em comparação, a Rússia destina 7% de seu PIB para isso; a Índia, 8%; e a China, 10,6%.

Atualmente transportadoras brasileiras enfrentam muitos obstáculos e a solução não se restringe ao uso de novas tecnologias. Por isso, mais que prestadores de serviços, as empresas de transportes devem se posicionar como parceiros de negócio.

A seguir listamos seis desafios do transporte de cargas no Brasil. Fique atento, pois se sua empresa não se preocupar com esses fatores poderá enfrentar muitos problemas para sobreviver neste mercado.

1 – Infraestrutura Rodoviária

De acordo com a Confederação Nacional do Transporte (CNT), o Brasil possui uma malha rodoviária de 1,7 milhão de quilômetros e destes, somente 210 mil são pavimentados. Os números deixam claro que nossa malha viária é de baixa qualidade e não atende as necessidades logísticas de um país com dimensões continentais.

2- Logística

Realizar o transporte de cargas vai muito além de colocar o produto na carreta para que chegue ao seu destino, pois alguns fatores são imprescindíveis para garantir que a carga transportada seja entregue em perfeito estado.

Esse cuidado se inicia com o planejamento prévio. É importante conhecer as rodovias envolvidas do projeto, os trajetos, identificando todos os impedimentos ao longo do trecho, mapeando e, se necessário, criando rotas alternativas, para assim, minimizar riscos e oferecer todo o suporte necessário à perfeita execução do transporte.

Outro fator importante é a amarração de cargas. Escolher o tipo correto de veículo e o acondicionamento da carga, tendo em conta as forças envolvidas no transporte é de fundamental importância.

A distribuição correta da carga evita multas por excesso, garante o equilíbrio adequado, prevenindo acidentes e desgaste prematuro de componentes do veículo . É possível obter economias significativas a partir do planejamento adequado

3- Gestão de riscos

A má qualidade das estradas, a complexidade da malha logística brasileira e o aumento da criminalidade nas rodovias, faz com que o investimento em Gerenciamento de Riscos no transporte de cargas seja fundamental para a continuidade dos negócios.

O monitoramento do transporte deve ser constante para que a checagem e o gerenciamento dos possíveis riscos ocorram em tempo real, com total transparência.

4- Falta de profissionais qualificados

Um grande desafio do transporte no Brasil está entre o aumento no grau de exigência dos clientes e a grande dificuldade na renovação, contratação e treinamento dos motoristas e operadores de entrega de cargas.

Não só a regulamentação e formalização do setor aumentaram como também a quantidade de tecnologia empregada nos veículos e a necessidade de conhecimento técnico para os motoristas. Com isso, algumas transportadoras que possuem capacidade de investimento e renovação de frota se encontram impedidas de crescer por falta de mão de obra.

Embora os processos, equipamento e tecnologia sejam fundamentais, de nada adiantam sem a inteligência e operação humana. Em todos os setores o fator humano é fundamental para o sucesso do negócio. Saber dominar as ferramentas de trabalho, portanto, é indispensável ao profissional qualificado.

“A produtividade de trabalho no Brasil é um terço de um trabalhador sul-coreano, um quinto do norte-americano e um quarto do alemão. Isso é resultado da baixa qualidade do sistema educacional e de um pequeno percentual de homens que fazem educação profissional”, avalia o diretor-geral do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), Rafael Luchesi.

5- Normas e restrições

Há o crescente aumento de normas e restrições de circulação de cargas nos grandes centros urbanos, tema que, sem dúvida, se junta à lista de desafios e pressões de custo para operação de transporte de cargas no Brasil.

Uma pesquisa do Ilos (Instituto de Logística e Suply Chain) apontou que houve 20% de aumento nos custos da cadeia de distribuição urbana, fruto das novas, variadas e crescentes restrições de circulação de veículos de carga.

O que deveria ser uma solução para os problemas de trânsito aparece como grande obstáculo às entregas urbanas. Isso pode ser entendido porque, embora muitas das normas sejam criadas para ajudar na fluidez do trânsito, a falta de padronização e diversidade de aplicações acaba inviabilizando um adequado planejamento operacional e de investimento empresarial.

6-Responsabilidade ambiental

A pressão cada vez maior por iniciativas de responsabilidade ambiental, tendência forte em todos os mercados, também atinge o segmento de transporte. Já há empresas adotando a pegada de carbono como uma das métricas relevantes na definição de sua estratégia de transportes.

Diante desse quadro, a grande motivação dos executivos é superar os grandes desafios e utilizar-se do transporte rodoviário para trazer vantagens competitivas e sustentabilidade para seus negócios.

Boas iniciativas estão brotando no setor, tanto no ambiente empresarial quanto em áreas de governo, comprovando que é sempre em momentos de grandes desafios que os ciclos de maior desenvolvimento acontecem.

Caminhos da inovação para sustentabilidade em logística e distribuição

Mais da metade (51%) do setor de logística e distribuição no Brasil é composta por pequenas e médias empresas. Na economia em geral, elas são a maioria do universo empresarial brasileiro, e são também as que possuem potencial para desenvolver inovações disruptivas voltadas para sustentabilidade.

Um olhar atento às oportunidades que o mercado oferece, pode ser o diferencial para o desenvolvimento de empresas revolucionárias para este setor.

Em nosso próximo artigo falaremos sobre as leis que envolvem as jornadas de trabalho dos colaboradores do setor de transportes e dos cuidados que devem ser tomados para melhorar rotinas e operações.

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